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O Ano Nacional do Laicato 2

 

No último domingo de novembro, deste ano, celebramos a Festa de Cristo Rei e concluímos o ano litúrgico. Logo iniciaremos, com o Tempo do Advento, um novo caminho, naquela busca incessante da santidade que é o chamado de todos os batizados. Mais uma vez, neste domingo concluiremos, um “ano temático”, o Ano Nacional do Laicato, que teve o seu início também na Festa de Cristo Rei de 2017. No evangelho deste dia, no diálogo com Pilatos, Jesus afirma ser “rei”, mas de um reino todo especial, um reino que “não é daqui” (Jo18,36). Para este “reino” diferente não valem os critérios e as medidas deste mundo que passa. O evangelista João nos apresenta Jesus, totalmente despojado de qualquer poder humano, machucado e já condenado pelo Sinédrio, numa posição “real”, altiva, em condição de responder com segurança aos questionamentos do todo poderoso representante do Império Romano. São os contrastes chamativos do evangelho de João. Por exemplo, Jesus sem balde, oferece “água viva” à samaritana (Jo 4). Com cinco pães e dois peixes, ele satisfaz a fome de cinco mil homens (Jo 6). Agora sem exército algum, lembra a Pilatos que o poder, que ele acredita ter, lhe foi dado do alto e, por isso, um dia irá perde-lo (Jo 19,11).

Todos os reinos e os poderosos deste mundo, com todas as suas riquezas e seus abusos irão passar, mas o “Reino” que é de Deus, aquele que somente quer reinar na vida e nos corações dos seus amigos, na liberdade e na alegria do amor, nunca acabará. Com Jesus e com a sua Páscoa, este “Reino” já começou, já está no meio de nós (Lc 17,21). O Reino da justiça, do amor e da paz, acontece na vida, na história humana, dentro e fora da Igreja, tem o alcance da misericórdia do Pai que não deixa ninguém longe do seu amor.

Lembrarei agora os legados do Ano Nacional do Laicato para que possamos todos dar continuidade à animação e à reflexão que esse tempo especial nos trouxe.

O primeiro legado é o esforço para ter em cada diocese e prelazia do Brasil o Conselho Diocesano de Leigos. Não será uma nova pastoral ou um novo organismo. Será um espaço de encontro das várias e ricas expressões do laicato católico. Vale lembrar as Comunidades Eclesiais de Base, com todos os seus animadores e animadoras, as Pastorais, os Movimentos e as Novas Comunidades. É dom do Espírito Santo realizar de maneira diferente a mesma e única missão da Igreja. Vivemos tempos difíceis para a evangelização, que nos pedem colaboração e união das forças. Uma Igreja dividida ou ocupada em disputas não somente escandaliza e afasta, mas, sobretudo, deixa de cumprir a contento a missão pela qual o Senhor Jesus a chamou: ser testemunha de Cristo “até os confins da terra” (Atos 1,8).

O segundo legado é o empenho para que aconteça o mais rapidamente possível uma Auditoria Cidadã da Dívida Pública brasileira. Pagar as próprias dívidas é questão de honestidade e justiça. No entanto quando a dívida se torna uma extorsão, quando pode ser renegociada ou ainda, talvez, em boa parte já foi paga, exigir uma auditoria cidadã, ou seja, pública e acessível a todos, não significa fugir das próprias responsabilidades ou querer dar um calote, mas encontrar uma possível saída honrosa de um negócio vantajoso só do lado dos credores. Com efeito, entendemos muito bem que, afinal, o pagamento da enorme dívida pública, recai sobre as costas do povo mais necessitado daquelas políticas públicas (saúde, educação…) cujos recursos estão sendo cortados com a desculpa da dívida. Como cidadãos e cristãos não podemos compactuar com uma situação claramente injusta e prejudicial para esta e as próximas gerações.

Um último lembrete. O tema do Ano Nacional do Laicato foi: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino”. E o lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo” (Mt 5,13-14). Não precisa explicar mais. O Reino acontece com a participação e a colaboração responsável, consciente e generosa de cada cristão e cristã. Somos todos membros ativos do único Povo de Deus, na diversidade dos dons e dos ministérios, mas sempre em comunhão, diálogo e fraternidade. Para o bem de todos.

Dom Pedro José Conti
Bispo de Macapá

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