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De onde começa a oração?

Dom Pedro José Conti
Bispo de Macapá

 

O mestre reuniu os seus discípulos e lhes perguntou:

– De onde começa a oração? O primeiro discípulo respondeu:

– Começa pela necessidade. O segundo disse:

– Começa pela alegria do coração. O terceiro afirmou:

– Nasce do silêncio. Quando tudo se cala, Deus pode falar e eu posso escutar. O mestre respondeu:

– Todos vocês responderam bem. Sempre temos muitos motivos para começar a rezar. Contudo tem um ponto de partida que antecipa todos aqueles que vocês indicaram. A oração começa em Deus mesmo. É ele que a inicia em nós.

Chegamos ao Domingo de Pentecostes e concluímos o Tempo Pascal. Todas as leituras da Liturgia da Palavra nos falam do Espírito Santo, último dom de Jesus aos seus amigos. O vento e o fogo são símbolos bíblicos da liberdade e da força do Espírito. Servem para nos lembrar que a iniciativa é sempre de Deus, também se ele pede a nossa disponibilidade para a missão e a alimenta com sua força, coragem e entusiasmo. O fogo aquece e ilumina. É luz na escuridão, é calor para os corações frios e desanimados. Por isso, a presença do Divino Espírito santo, antes de ser a “energia”, que anima a Igreja toda e para sempre, deve ser a experiência que cada batizado e crismado faz em si mesmo, na sua própria vida espiritual, no silêncio do seu interior.

Nós todos somos discípulos missionários. Discípulos, porque sempre devemos aprender com Jesus. O Espírito Santo vai nos lembrar e ajudar a entender o que o único Mestre ensinou com a vida e a palavra. Missionários, pelo bem ou pelo mal. Pelo bem quando, apesar das nossas fraquezas e pecados, procuramos vivenciar a nossa fé, praticando o bem e colocando a serviço dos irmãos os dons recebidos pelo Espírito Santo. Pelo mal, infelizmente, quando desistimos, guardamos para nós ou jogamos fora a pérola mais preciosa que deveríamos saber valorizar. Digamos que, neste caso, seríamos missionários ao contrário: freamos, esfriamos, espalhamos o desânimo e a inutilidade do evangelho. Melhor ser um missionário fraco e capenga, mas que ainda caminha, que alguém que fala mal de Jesus e da Igreja ou escandaliza com a sua indiferença.

Para um cristão que quer estar à altura da sua vocação e missão, a oração, a meditação da Palavra de Deus, as Missas e a participação na Comunidade não são tempo perdido. São os momentos necessários para manterem vivas a fé, a esperança e a caridade. Numa sociedade onde somente vale o poder econômico e tudo se mede pelos bens materiais e pelo dinheiro, nós cristãos precisamos testemunhar que tudo o que somos e produzimos deve ter um sentido bom, deve construir paz e fraternidade, respeito e colaboração dos seres humanos entre si e com a natureza, entre os povos e o planeta. Numa cidade onde se vive e se respira tecnologia, onde os encontros e desencontros estão se tornado virtuais, onde as pessoas são reduzidas a endereços eletrônicos, precisamos resgatar a caridade como confraternizaç&ati lde;o, conversa frente à frente, abraços e capacidade de nos carregar nos ombros uns aos outros. O bom samaritano fez isso; ao assaltado e ferido não deixou a publicidade de algum remédio, a proposta de algum plano de saúde ou de algum empréstimo consignado. Todas coisas boas que o progresso inventou, mas que nos fazer correr o perigo de enxergar naqueles que estão caídos à beira das estradas “clientes” e não mais irmãos e irmãs, companheiro de caminhada, peregrinos, como todos, neste mundo. Antes de qualquer iniciativa ou atividade, acreditar na ação do Espírito Santo, significa escutar o que ele tem para nos lembrar de Jesus, nos entender como humildes seguidores e continuadores de uma missão que é de vida nova, de amor e de paz. De outra forma, qualquer missão será a “nossa” missão. Aquela do nosso grupo, da no ssa bandeira, da nossa doutrina, da nossa organização, mas não a única missão pela qual o Pai enviou o seu Filho e que o Espírito Santo deve continuar na história. Toda decisão grande e bonita é tomada no nosso interior. Toda coragem de mudar é iniciativa de Deus. É dom do Espírito Santo.

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