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OK AO DIGITAL, MAS A MISSA NA IGREJA É OUTRA COISA

Pensando de fazer uma coisa boa, que ajudasse a reflexão neste tempo de pandemia e, esperamos cedo, de post-pandemia… fiz a tradução e adaptação para a nossa realidade deste artigo do Diretor do Semanal Diocesano da minha Diocese de Brescia, na Itália, padre Adriano Bianchi. Seria bonito abrir um pequeno debate…

Pe. Rafael Donneschi

Mesmo na vida da Igreja, e de nossas paróquias, experimentamos, nestas semanas, uma espécie de “aceleração digital”. Descobrimos um mundo de possibilidades e nos organizamos para estar presentes. Portanto vai com as catequeses no Facebook, vai com as reuniões culturais e pastorais, Formato ZOOM para reuniões de grupo, até mesmo para conselhos pastorais… Descobrimos um mundo de possibilidades que já estavam presentes, mas que na época do Covid-19 se tornaram patrimônio de muitos. Os meses de confinamento produziram a alfabetização digital da população brasileira que não teríamos imaginado até alguns meses atrás. Até as vovós e as chamadas ‘senhoritas’ já sabem, agora, assistir à Missa de sua paróquia no Facebook! Os dados e os números das várias lives de Missas, Novenas, Terços… são impressionantes. E isso só pode nos agradar. Esses meios não só nos permitiram estar perto, mas eles nutriram nossas vidas com a oração e nos permitiram de nos sentir em comunhão com nossos pastores e a comunidade. Não há paróquia que não se tenha ativada nesse sentido e o nosso muito obrigado vai a todas as pessoas que prestaram voluntariamente os próprios conhecimentos tecnológicos e os próprios instrumentos para tornar isso possível! 

Mas agora que a fase aguda da pandemia parece acabar, agora que estamos de volta para poder celebrar a Liturgia e para nos encontrar, mesmo com algumas restrições, de maneira presencial, faz sentido continuar? O que deve ficar dessa experiência pastoral digital? Muito, mas não tudo. Adquirimos tantas habilidades e entendemos que algumas coisas funcionam melhor no digital, paradoxalmente, do que ao vivo. Em primeiro lugar, no campo formativo. A formação a distância, mesmo pastoral, muitas pequenas propostas de acompanhamento diário, como aconteceu na Quaresma, no Tempo Pascal tiveram um impacto, mesmo no nível paroquial, muito mais eficaz do que no tempo ‘normal’! Por que continuar a organizar uma conferência em um grande salão, talvez com palestrantes de gabarito e que vêm de longe, com uma despesa exorbitante de forças e dinheiro? Por que chegar a talvez 30 pessoas presentes quando com uma videoconferência ao vivo, você poderia chegar a centenas de pessoas com o mesmo programa e permitindo que todas as pessoas interviessem e comentassem ao vivo (e não as 3 habituais que fazem as perguntas habituais no final da palestra) quase completamente sem nenhum custo? Vamos pensar sobre isso. Pode valer a pena fazê-lo para associações, movimentos e paróquias. Conferências, mas também muitos cursos pastorais. 

E a “liturgia digital” que tem desempenhado o papel do leão nos últimos meses? Precisamos ter mais cuidado aqui. Uma coisa é a oração diária, ou talvez até mesmo o Terço, ou um comentário diário da Palavra de Deus, mas a Missa merece uma reflexão ad hoc. A Missa é outra coisa. O tempo da epidemia foi realmente extraordinário, mas agora já chega: sobre o tema da Missa talvez seja melhor que desliguemos as câmeras dos celulares e computadores dos meios de comunicação sociais. Voltar à Missa em nossas igrejas, estar presentes, acessar diretamente a eucaristia, falo de quem não estiver nas faixas de risco…, é essencial para nossa fé. Não podemos nos alimentar da beleza da Eucaristia sem redescobrir o gosto de re-conhecer  a presença real de Cristo no Pão e na comunidade, especialmente no Dia do Senhor, correndo o risco de cairmos numa ‘preguiça espiritual’ e num devocionismo individualista, exagerado e anti-comunitário ! A Eucaristia não pode ser um banquete virtual. Uma coisa, portanto, é a missa de rádio ou televisão para os doentes, porém estritamente ao vivo, mas outra é perpetuar uma ‘missa social’ que desestimule a participação dos fiéis. Agora chegou a hora de fechar as câmaras! Realmente temos mesmo que voltar a ‘ir’ à Missa. 

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